
Fernando Collor de Mello
Governo: 1990 - 1992
Introdução
Fernando Collor de Mello foi eleito presidente do Brasil em 1989, nas primeiras eleições diretas para presidente desde 1960. Assumiu o cargo em 15 de março de 1990, prometendo modernizar o país e combater a corrupção. No entanto, seu governo foi marcado por medidas polêmicas, escândalos de corrupção e culminou com seu impeachment em 1992, tornando-se o primeiro presidente brasileiro a ser deposto pelo Congresso Nacional.
A Posse e o Plano Collor

Fernando Collor assumiu a presidência em 15 de março de 1990, em meio a uma grave crise econômica com hiperinflação descontrolada. No dia seguinte à posse, anunciou o Plano Collor, uma medida econômica radical que incluía o confisco de ativos financeiros da população.
O Plano Collor determinou o bloqueio de contas correntes, cadernetas de poupança e aplicações financeiras acima de determinado valor por 18 meses. A medida foi extremamente impopular e gerou grande revolta na população, que perdeu acesso a suas economias. O confisco afetou milhões de brasileiros e causou sérios prejuízos econômicos.
Inflação Descontrolada

Apesar do Plano Collor, a inflação continuou descontrolada durante o governo. O plano econômico não conseguiu resolver os problemas estruturais da economia brasileira, e a inflação voltou a acelerar, causando grande sofrimento à população, especialmente aos mais pobres, cujos salários eram corroídos pela alta inflação.
Escândalos de Corrupção

O governo Collor foi marcado por graves escândalos de corrupção. Em maio de 1992, o irmão do presidente, Pedro Collor, denunciou um esquema de corrupção envolvendo o tesoureiro da campanha presidencial, Paulo César Farias (PC Farias). O esquema incluía desvio de recursos públicos, tráfico de influência e enriquecimento ilícito.
As denúncias revelaram que PC Farias havia desviado milhões de dólares através de empresas fantasmas e contas no exterior. O escândalo abalou profundamente o governo e gerou pressão popular e política para a abertura de processo de impeachment contra o presidente.
Os Caras Pintadas e os Protestos

Os escândalos de corrupção geraram uma onda de protestos em todo o país. Estudantes, especialmente, organizaram grandes manifestações, pintando os rostos com as cores da bandeira brasileira e exigindo o impeachment do presidente. O movimento ficou conhecido como "Caras Pintadas" e foi fundamental para pressionar o Congresso a abrir o processo de impeachment.
As manifestações foram pacíficas e massivas, reunindo milhões de pessoas em todo o Brasil. O movimento estudantil e a sociedade civil organizada desempenharam papel crucial na defesa da democracia e no combate à corrupção.
O Processo de Impeachment

Em setembro de 1992, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura do processo de impeachment contra Fernando Collor, acusado de crime de responsabilidade. O processo foi aprovado por ampla maioria, refletindo o descontentamento popular e político com o governo.
O processo de impeachment foi um marco na história democrática brasileira, demonstrando que as instituições funcionavam e que a corrupção não seria tolerada. Foi a primeira vez que um presidente eleito diretamente foi deposto através de processo legal e democrático.
A Renúncia

Em 29 de dezembro de 1992, às vésperas do julgamento no Senado Federal, Fernando Collor renunciou ao cargo de presidente. No entanto, o Senado prosseguiu com o julgamento e, mesmo após a renúncia, cassou os direitos políticos de Collor por oito anos, impedindo-o de exercer cargos públicos.
O vice-presidente Itamar Franco assumiu a presidência, completando o mandato. A renúncia de Collor não impediu que ele fosse julgado e condenado, demonstrando a força das instituições democráticas brasileiras.
Legado do Governo Collor
O governo Collor deixou um legado profundamente negativo. Foi marcado por medidas econômicas impopulares, corrupção sistêmica e tentativas de desestabilização democrática. No entanto, o processo de impeachment e a mobilização popular demonstraram a força da democracia brasileira e a capacidade das instituições de combater a corrupção.
O caso Collor serviu como lição sobre a importância da transparência, do combate à corrupção e da participação cidadã na defesa da democracia. O movimento dos "Caras Pintadas" permanece como símbolo da mobilização popular em defesa da ética e da democracia.



